Caro amigo,
Para desgosto de mim e de muitos, o novo coronavírus não poupou nem mesmo a festa de Natal. Em muitos lugares as lojas foram fechadas e as compras de Natal limitadas. Cantores foram proibidos de fazer serenatas. Reuniões familiares para celebrar a noite, cear juntos, trocar presentes e se abraçarem foram limitadas a um pequeno número de pessoas por casa. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Nos natais anteriores eu reclamava que o verdadeiro sentido do Natal estava se perdendo. Neste ano, o Natal está sendo enterrado de vez pela pandemia.
É desolador o estrago que o vírus causou, não só a nossos queridos amigos e familiares que faleceram ou que ficaram com sequelas da doença, mas também aos que perderam seus negócios e empregos, às crianças que perderam o ano escolar e aos que adquiriram ou agravaram distúrbios psicológicos por causa do confinamento.
A minha maior tristeza, no entanto, foi o de ver o estrago que o vírus está fazendo na nossa alma. Perdemos o convívio com o próximo. Deixamos de abraçar e beijar os nossos entes queridos. Tornamo-nos viciados em eletrônicos, de internet e de redes sociais. Desaprendemos a aceitar as opiniões dos que discordam de nós como válidas. Perseguimos e caluniamos os nossos "inimigos", aplaudimos quando eles são infectados e desejamos sua morte. Vangloriamo-nos da nossa obediência ao isolamento social com a alegação de estar salvando vidas enquanto desprezamos os que não conseguem cumpri-lo sem perder sua subsistência. Exigimos que nossos governantes façam alguma coisa para conter o virus, mesmo que nos privem de liberdades individuais e que nos deixem ainda mais dependentes deles. Tenho a impressão de que nós tornamos mais fracos, mais covardes e mais apequenados com esta crise.
Da mesma forma, a pandemia afetou profundamente a minha vida e a quarentena adoeceu a minha alma. Um dos sinais dos últimos tempos - o de que "devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará" - parece aplicar perfeitamente ao que estou passando agora. Sinto-me desanimado, egocêntrico, crítico, vazio, frio e indiferente às pessoas que estão sofrendo ao meu redor. A minha alma anseia por alguém que possa me dar esperança, iluminar meu caminho, acalmar o meu coração, e transformar a minha mente.
Onde posso encontrar luz, paz e alegria em meio a uma situação como essa?
A melhor resposta para esta pergunta está em uma profecia que se cumpriu no dia que estamos celebrando agora. Em um período marcado pela escuridão, em que o povo de Deus clamava por alguém que pudesse salvá-lo, ...
"... O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz.
... Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz."
O Natal foi a resposta de Deus para um povo perdido em sua maldade. Ele deu seu próprio filho para trazer luz e salvação a um mundo em trevas. O Deus Forte e Pai da Eternidade tornou-se um menino para viver entre pecadores, mostrar o caminho da verdade, e morrer pelos nossos pecados para nos resgatar.
Embora a profecia fosse dirigida ao povo de Israel, a promessa do Salvador é para todos, judeus e gentios. Jesus veio para mim e para você. Mesmo 2 mil anos depois, Ele traz luz à escuridão de minha alma, paz para o meu coração aflito e propósito para a minha vida vazia. É Ele quem deve nascer em mim para que eu possa viver com esperança, amor, alegria e coragem neste mundo tenebroso.
É principalmente em momentos como esse que preciso me lembrar sobre a razão pela qual estou celebrando esta noite. Hoje é Natal. Hoje Deus respondeu ao meu pedido de socorro. Hoje o Filho de Deus veio para me salvar.
Amigo, mesmo que não possa celebrar esta noite reunido com muitos amigos e familiares, com mesa cheia de comida e árvore lotada de presentes, eu gostaria de desejar que o Maravilhoso Conselheiro te anime em teu desânimo, que o Deus Poderoso te dê forças em tua fraqueza, que o Pai Eterno te dê esperança em um futuro que parece sombrio e que o Príncipe da Paz te acalme em tuas aflições.
Feliz Natal!