quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal


Normalmente, o fim de ano é um período alegre e festivo. As lojas, os parques e as casas ficam repletas de luzes e de decorações de Natal. Trabalhadores recebem um reforço no caixa e lotam as lojas em busca de presentes. Escritórios da cidade fazem festas de confraternização e comemoram as realizações do ano que está terminando. As crianças sentam no colo do Papai Noel para fazer pedidos a serem entregues na noite de Natal. Corais se apresentam em vários lugares da cidade cantando músicas natalinas. Muitos aproveitam-se do "espírito natalino" para lembrar dos mais necessitados: presentes são distribuídos para os moradores das favelas e ceias de Natal são preparadas para os moradores de rua. Famílias que estiveram separadas durante o ano todo se reencontram para compartilhar as suas experiências.

Neste ano, no entanto, eu vejo um natal menos extravagante, menos iluminado, menos próspero e menos alegre.

Após a empresa onde eu trabalho demitir mais da metade dos funcionários, o clima de fim-de-ano não foi exatamente de festa. Da mesma forma, a corrupção, a recessão, a inflação e o desemprego tiraram a alegria e a esperança de muitos brasileiros, que vêem um ano de 2016 ainda mais difícil. Há poucas luzes, pouca decoração, e os presentes são mais modestos Ao redor do mundo, atentados planejados por organizações islâmicas espalharam o terror entre a população: não há, realmente, um lugar onde possamos nos sentir seguros. 

Por isso, eu vejo ao meu redor a mesma melancolia que eu sinto quando o Natal se aproxima. Por causa de meu ceticismo, sempre vi o "espírito natalino" como um sentimento vago, sem conteúdo, dependente das circunstâncias externas, e incapaz de persistir a um banho de realidade. Da mesma forma, hoje é muito mais difícil encontrarmos a alegria do Natal com tantas más notícias e com uma perspecmima tão sombria do futuro de nosso país. 

O lado bom disso tudo é que talvez esta seja a oportunidade de capturar o Natal em seu sentido mais profundo.

Antigamente, a noite de Natal era o clímax de um período de quatro semanas, chamado Advento. Nesse período, os cristãos se preparavam para receber o Natal como um verdadeiro presente de Deus. Eles lembravam que, durante 400 anos, Deus ficou em silêncio e deixou de falar através de sua palavra ao seu povo. Eles recordavam que, antes da noite de Natal, o povo estava esperando ansiosamente por um enviado de Deus que os libertasse da opressão. Eles meditavam na miséria deste mundo, na angústia de sua alma e na necessidade de um Salvador. 

Quando, finalmente, chegasse o Natal, estaríamos prontos para saborear a vinda de Jesus no seu sentido mais profundo: uma luz surgiu no meio da escuridão, o Salvador tão esperado finalmente chegou, Deus não nos abandonou na nossa miséria, mas nos deu o seu próprio Filho. O evento da encarnação de Deus foi tão espetacular que um coro de anjos quebrou o silêncio e uma estrela nova apareceu no céu ...

Será que perdemos a essência do Natal exatamente porque não precisamos mais de um Salvador? Será que não vemos o Natal além das árvores enfeitadas e das trocas de presentes porque não precisamos mais que Deus fale conosco? Será que temos encarado o Natal no sentido consumista e materialista porque na verdade desejamos que Deus vá embora e nos deixe em paz?

Não, não creio que podemos salvar a nós mesmos: não importa o que façamos para nos redimir dos nossos "malfeitos", nada será capaz de apagar a nossa culpa. Não creio que possamos andar pelo caminho correto sem que Deus fale conosco: sem ele, nós somos cegos, errantes, sem rumo, perdidos. Não creio que podemos viver sem que Deus nos sustente e nos acompanhe: o mundo de corrupção, de egoísmo, de ódio, de morte e de terror é uma pequena amostra do que nos espera se formos deixados à nossa própria sorte.

Sim, eu preciso do Salvador, da Luz do Mundo, do Príncipe da Paz, do Pão da Vida, do Bom Pastor, do Caminho, da Verdade e da Vida. Eu anseio para que ele venha para me salvar, para me dar de sua vida e para transformar o meu coração. Eu desejo que ele esteja ao meu lado, que ele me console quando eu estou triste e me oriente quando estou confuso. A sua presença me revigora e a sua ausência me faz sedento da sua palavra. 

É por isso que o Natal faz todo o sentido para mim. Essa noite é a celebração do amor de Deus por mim. Essa é a noite em que Deus mostrou que ele não está distante cuidando de outras galáxias, sem se importar com um "grãozinho de areia", como eu. Essa é a noite em que a nossa maior necessidade, o de ser salvo da morte, do pecado e do juízo, foi satisfeita em um bebê, que um dia cresceria e morreria por mim. Essa é a noite em que podemos ter grande alegria, não porque estamos na época das vacas gordas, mas porque o mais profundo anseio da nossa alma foi satisfeito na pessoa de Jesus Cristo.

Não sei como cada um de meus amigos, colegas e parentes estão passando está noite, mas o meu desejo é que, mesmo que tudo ao nosso redor for escuridão, mesmo que só haja motivos para tristeza, mesmo que o mundo esteja desmoronando, vocês possam se alegrar naquele que foi a luz no meio da escuridão e a esperança de todos os povos.

Que vocês tenham um Feliz Natal.

Hélio, Martha e Raphael.






sábado, 4 de abril de 2015

Feliz Páscoa

Há alguns meses atrás, assisti a um filme chamado Deus não está morto, uma história sobre os conflitos entre um estudante cristão e o seu professor ateu. O título do filme faz referência à palavra de ordem de alguns ateus militantes nos Estados Unidos: Deus está morto.

Obviamente, a frase deve ser interpretada no sentido figurativo: afinal de contas, para estar morto é necessário que Deus exista. Deus está morto porque não há motivos racionais para crer nele, uma vez que a ciência e a filosofia são ou serão capazes de explicar todos os mistérios da natureza. Eles não só não acreditam na existência de Deus, mas também desejam vê-lo morto à medida em que as pessoas param de crer na sua existência, da mesma forma que as crianças param de acreditar em Papai Noel em algum momento de sua infância.

Em parte, eu concordo com o lema desses ateus militantes: ao menos durante um período na história, Deus esteve morto. 

Nesta semana, cristãos do mundo inteiro celebram o evento que eles consideram o mais importante da história, o fundamento de tudo aquilo que eles creem. Há aproximadamente dois mil anos, um homem morreu, e da pior forma possível. Este homem dizia ser o Filho de Deus, que era um com o Pai e que existia com ele antes da criação do mundo. 

Como é possível que um Deus todo-poderoso, que criou os céus e a terra, e que tem o Universo em suas mãos sofra a morte? Deus não seria imortal? Esta história é quase impossível de acreditar ... e, mesmo assim, esta incrível história partiu de um país desprezível do Império Romano para alcançar bilhões de ouvintes nos quatro cantos de terra. Muitos não só receberam esta história como verdadeira, mas também receberam-na com alegria, como se ela fosse a resposta às necessidades mais profundas de sua alma.

Ao ouvir colegas dizendo que não acreditam na existência de Deus, pergunto-me por que Deus não se manifesta claramente, de forma a tirar toda a dúvida sobre a sua existência. Da mesma forma, eu penso no que aconteceu nas horas que antecederam a morte de Deus: traído por um amigo íntimo, abandonado por outro amigo, acusado sem motivo legal, açoitado, desprezado, zombado, trocado por um criminoso, ferido com uma coroa de espinhos, obrigado a carregar a cruz até um monte, pregado e crucificado, Deus simplesmente não fez nada. Ele poderia, com um simples sinal, convocar um exército de anjos para socorrê-lo, mas não fez absolutamente nada.

Eu posso ouvir as pessoas zombando de Deus naquela tarde de sexta-feira:

- Se Tu és Deus, adivinha quem foi que te bateu!
- Se Tu és Deus, desce da cruz!
- Se Tu és Deus, salva-te a si mesmo e salva-nos também!
- Se Tu és Deus, resolve o problema da fome deste mundo!
- Se Tu és Deus, dá-me um carro zero e uma casa com piscina!
- Se Tu és Deus, faze uma pedra que não possas carregar!

No entanto, quando olho para o Deus crucificado, eu só vejo o seu silêncio. Deus ficou mudo. Por que ele não se defendeu?

Deus não fez nada porque ele escolheu passar por esse sofrimento. Em contraste com o mal que se manifestava com todo o seu poder sobre ele, o Deus sofredor olhava para os que queriam crucificá-lo: não com raiva e com sede de vingança, mas com amor. Ele veio para salvar àquelas mesmas pessoas que queriam vê-lo morto. Ele pediu ao Pai que os perdoassem. Quando ainda éramos pecadores, Deus nos amou.

A própria morte de Deus foi uma ato voluntário. Ele havia dito antes que ninguém poderia tomar a sua vida, mas ele a daria voluntariamente. Quando o seu sacrifício foi consumado, Deus morreu. Deus escolheu sofrer a maior consequência do nosso pecado: a morte. Deus deu a sua vida por nós.

A história, no entanto, não terminou aqui. Deus esteve morto, mas somente por poucos dias. Ele ressuscitou, e a mensagem da ressurreição foi levada por seus discípulos até os confins da terra, com tanta convicção que a maioria deles preferiu ser martirizado a parar de pregá-la.

Sim, eu creio que Deus não está morto.

Mesmo assim, no sentido figurativo, ele morreu muitas vezes desde então. Deus morreu quando seus seguidores foram perseguidos, aprisionados, degolados, crucificados e jogados aos leões. Deus morreu quando a igreja foi corrompida pelo poder político e econômico deste mundo. Deus morreu quando as teorias da origem do universo e da origem das espécies dispensaram a existência de um criador, quando os marxistas relacionaram a fé nele a um alucinógeno que alienava o povo, e quando os psicanalistas consideraram-no como uma manifestação das nossas neuroses.

Também no sentido figurativo, Deus ressuscitou dos mortos. O sangue dos mártires fez a igreja crescer, ao invés de esmagá-la. Sempre que a igreja se afundou em corrupção, surgiram movimentos que renovaram a fé e restauraram a pureza da mensagem do evangelho. Em um mundo onde a grande maioria das escolas ensina as teorias de Darwin, a ideologia de Marx e as teses de Freud, a maioria das pessoas crê em um Deus vivo, que criou o Universo e a vida, que nos dá sabedoria ao invés de nos alienar, e que nos faz saudáveis e não neuróticos.

Talvez Deus insista em ressuscitar porque não é possível ficar indiferente a um Deus como esse, mesmo não crendo que ele exista. Mesmo que eu possa, racionalmente, concluir que não há provas concretas da existência de Deus, a minha alma ainda suspira por ele. O nosso ser possui um buraco que nada no mundo que nos cerca é capaz de preencher, e a nossa alma não tem descanso até encontrar o Deus que está nos faltando. A nossa alma só encontra paz quando o motivo que nos separou de Deus for resolvido, e a história da páscoa nos lembra que esse problema foi resolvido pelo próprio Deus. A mensagem da páscoa foi a chave que se encaixou no vazio de minha alma e abriu o meu coração para a vida eterna.

Por isso, meus amigos, eu celebro a páscoa. Por isso, eu junto-me ao coro de todos os cristãos desse mundo: Cristo morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia. Sim, ele ressuscitou!

Feliz páscoa para vocês.

Hélio.

domingo, 18 de janeiro de 2015

#jesuisChrist

Em uma das histórias do Antigo Testamento, Deus convoca um homem comum, chamado Gideão, para libertar o seu povo da opressão dos midianitas, um dos povos que ainda viviam na "terra prometida". A primeira ordem dada por Deus foi a de destruir a estátua de um ídolo chamado Baal, que havia sido construído em sua casa, missão que foi cumprida durante a noite. Quando descobriram que Gideão havia sido responsável pela destruição do ídolo, os vizinhos quiseram matá-lo. O pai de Gideão, no entanto, defendeu-o, dizendo que, se Baal fosse real, ele poderia se vingar desse ataque à sua imagem e matar Gideão.

Um argumento semelhante foi usado milhares de anos mais tarde, para defender uma nova seita que estava se expandindo rapidamente pela Judeia, tirando o sono da liderança religiosa. Eles tinham tentado calar os seguidores dessa seita com ameaças e açoites, mas as intimidações não surtiam efeito. Então um rabino chamado Gamaliel argumentou que, se essa nova seita fosse só uma invenção dos homens, ela fracassaria e, se viesse de Deus, nada que fizessem poderiam detê-los. Esta seita, de fato, prosperou e tornou-se a religião com o maior número de seguidores do mundo.

Eu mencionei estas duas histórias pensando na notícia mais comentada das últimas semanas: dois militantes muçulmanos entraram na redação da revista Charlie Hebdo em Paris, atirando nos editores, jornalistas, desenhistas e em outros funcionários da editora. Ao final do atentado, declararam que Maomé estava vingado, pois a revista estava publicando charges que eles consideravam ofensivas ao Islã. Essas charges continham imagens do Profeta e, em alguns casos, satirizavam as atitudes de alguns líderes muçulmanas. No total, o atentado deixou 17 pessoas mortas.

Eu sempre me perguntei por que os muçulmanos não deixam com que a vingança pela blasfêmia dos infiéis seja feita pelas mãos do próprio Alá, e por que Alá precisaria depender dos seus seguidores para fazer o trabalho sujo. Confesso que não conheço profundamente o Islã, e por isso, talvez essa dúvida seja considerada ridícula pelos seus seguidores. Mesmo assim, creio que muitas pessoas, cristãs ou não, fazem essa mesma pergunta quando recebem uma notícia como essa. 

Também sei que muitos irão rebater a minha pergunta com afirmações sobre a época da Idade Média, em que a Igreja exercia poder temporal, julgava os hereges e promovia cruzadas para libertar Jerusalém dos infiéis. Não posso falar muito sobre a igreja da Idade Média, mas posso dizer que não consegui encontrar nos ensinamentos de Jesus Cristo ou de seus apóstolos nada parecido com algum mandamento sobre forçar outras pessoas a se converterem, queimar os que não concordarem conosco ou promover uma guerra santa para matar os incrédulos. Se alguns de seus seguidores cometeram ou cometem essas práticas, é mais por ignorância ou pela natureza pecaminosa deste seguidores que por alguma interpretação honesta da Bíblia.

Para dizer a verdade, eu vejo o Cristianismo como a religião que, por sua natureza, funciona melhor quando é uma minoria dentro de uma sociedade que marginaliza e persegue os seus seguidores. Não nos tornamos cristãos porque os nossos pais eram e nem porque alguém nos forçou a ser, mas porque um dia nós decidimos voluntariamente que Jesus Cristo seria o nosso Salvador, o nosso Senhor e comprometeríamos a nossa vida a ele como resposta ao seu amor por nós. Somos chamados para ser luz no meio das trevas, para que os que não são cristãos olhem para nós e glorifiquem o Pai que está nos céus. Temos o mandamento de alegrar-nos com as perseguições que sofremos, de amar os nossos inimigos, de orar pelos que nos perseguem, e de deixar que o nosso Pai julgue os que nos maltratam. Em uma sociedade em que somos a maioria, a religião cristã torna-se um símbolo de status e é parte do jogo político, podemos cair em perigo muito maior que a perseguição. Podemos nos corromper com o poder e transformar-nos aquilo que nossos perseguidores foram: intolerantes com os que não pensam e os que não professam a mesma religião que nós.

Como eu já disse antes, não conheço muito profundamente o Islã e nem o seu livro sagrado, o Corão. No entanto, a minha impressão é de que o Islã é o oposto do Cristianismo nesse aspecto. Desde a época de Maomé, o Islã parece simplesmente buscar expansão populacional, no sentido de trazer cada vez mais pessoas que se curvem a Alá (talvez seja por isso que a própria palavra Islã signifique "submissão"). Não vejo que deem muita importância se eles se submeterão por intimidação, por conveniência, por ganharem alguma recompensa no céu, ou por amor a ele - contanto que façam aquilo que ele ou os líderes de sua religião dizem. Aqueles que não se submetem a Alá poderão ser tolerados em locais onde o Islã não é a maioria, ou ser duramente discriminados, hostilizados ou até mesmo mortos onde ele é absoluta maioria. 

Eu não estou expondo isso para criticar o Islã. Eu imagino que é exatamente esta a visão que os muçulmanos tem de sua religião, e creio que eles conseguem realmente enxergar algo de divino e superior nessa visão do Islã forte e dominador. Aliás, eu vejo que as religiões e ideologias universais em geral possuem caminhos semelhantes a esse: fazer com que todas as pessoas se convertam a essa religião ou ideologia, independentemente se estão fazendo por medo, por conveniência, por interesse pessoal ou por convicção; aumentar o grau de influência política, até alcançar a hegemonia e, quando isso acontecer, esmagar todos os que se opõem a ela.

O caminho de Cristo vai pelo lado completamente oposto. Ao passar por Samaria, Jesus e os seus discípulos encontraram um povo que estava pouco disposto a recebê-los. Os "filhos do trovão" João e Tiago perguntaram a Jesus se ele podia fazer descer fogo do céu para destruir esses incrédulos, referindo-se a um episódio que envolveu o profeta Elias, no monte Carmelo. Jesus repreendeu os discípulos, dizendo que ele não havia vindo para condenar, mas para salvar e resgatar a vida de muitos.

Eu creio que nós, os discípulos de Jesus, deveríamos seguir pelo mesmo caminho. A revista Charlie Hebdo era notável em satirizar a maioria das religiões mais conhecidas: o Cristianismo foi alvo de escárnio do semanário, da mesma forma que o Islã e o Judaísmo. Muitas das charges seriam consideradas ofensivas para 99 de 100 pessoas que professam o Cristianismo: uma dessas, por exemplo, mostra as três pessoas da Trindade participando de uma orgia.  

Como responder a essa ofensa? A minha resposta é uma outra pergunta: o que Jesus faria? Da mesma forma que Jesus estava muito ocupado em salvar as pessoas para levar as ofensas feitas a ele pelo lado pessoal, nós também não deveríamos desperdiçar nossas energias levando essas ofensas seriamente. A nossa missão não é a de condenar os infiéis, nem a de defender Jesus, nem a de processar os que o ofendem, e nem mesmo a de pedir para que Deus mande fogo do céu. A nossa missão é levar o amor de Cristo para todos, na esperança de que muitos sejam tocados por ele ... talvez até mesmo os editores dessa revista. 

Após a tragédia, uma edição da revista Charlie Hebdo foi publicada com uma charge na capa, contendo a imagem de Maomé chorando. Para mim, mais condizente com a realidade seria a imagem de Jesus chorando. Ele, sim, estaria disposto a dar a sua própria vida para salvar as mesmas pessoas que escarneceram dele.