Normalmente, o fim de ano é um período alegre e festivo. As lojas, os parques e as casas ficam repletas de luzes e de decorações de Natal. Trabalhadores recebem um reforço no caixa e lotam as lojas em busca de presentes. Escritórios da cidade fazem festas de confraternização e comemoram as realizações do ano que está terminando. As crianças sentam no colo do Papai Noel para fazer pedidos a serem entregues na noite de Natal. Corais se apresentam em vários lugares da cidade cantando músicas natalinas. Muitos aproveitam-se do "espírito natalino" para lembrar dos mais necessitados: presentes são distribuídos para os moradores das favelas e ceias de Natal são preparadas para os moradores de rua. Famílias que estiveram separadas durante o ano todo se reencontram para compartilhar as suas experiências.
Neste ano, no entanto, eu vejo um natal menos extravagante, menos iluminado, menos próspero e menos alegre.
Após a empresa onde eu trabalho demitir mais da metade dos funcionários, o clima de fim-de-ano não foi exatamente de festa. Da mesma forma, a corrupção, a recessão, a inflação e o desemprego tiraram a alegria e a esperança de muitos brasileiros, que vêem um ano de 2016 ainda mais difícil. Há poucas luzes, pouca decoração, e os presentes são mais modestos Ao redor do mundo, atentados planejados por organizações islâmicas espalharam o terror entre a população: não há, realmente, um lugar onde possamos nos sentir seguros.
Por isso, eu vejo ao meu redor a mesma melancolia que eu sinto quando o Natal se aproxima. Por causa de meu ceticismo, sempre vi o "espírito natalino" como um sentimento vago, sem conteúdo, dependente das circunstâncias externas, e incapaz de persistir a um banho de realidade. Da mesma forma, hoje é muito mais difícil encontrarmos a alegria do Natal com tantas más notícias e com uma perspecmima tão sombria do futuro de nosso país.
O lado bom disso tudo é que talvez esta seja a oportunidade de capturar o Natal em seu sentido mais profundo.
Antigamente, a noite de Natal era o clímax de um período de quatro semanas, chamado Advento. Nesse período, os cristãos se preparavam para receber o Natal como um verdadeiro presente de Deus. Eles lembravam que, durante 400 anos, Deus ficou em silêncio e deixou de falar através de sua palavra ao seu povo. Eles recordavam que, antes da noite de Natal, o povo estava esperando ansiosamente por um enviado de Deus que os libertasse da opressão. Eles meditavam na miséria deste mundo, na angústia de sua alma e na necessidade de um Salvador.
Quando, finalmente, chegasse o Natal, estaríamos prontos para saborear a vinda de Jesus no seu sentido mais profundo: uma luz surgiu no meio da escuridão, o Salvador tão esperado finalmente chegou, Deus não nos abandonou na nossa miséria, mas nos deu o seu próprio Filho. O evento da encarnação de Deus foi tão espetacular que um coro de anjos quebrou o silêncio e uma estrela nova apareceu no céu ...
Será que perdemos a essência do Natal exatamente porque não precisamos mais de um Salvador? Será que não vemos o Natal além das árvores enfeitadas e das trocas de presentes porque não precisamos mais que Deus fale conosco? Será que temos encarado o Natal no sentido consumista e materialista porque na verdade desejamos que Deus vá embora e nos deixe em paz?
Não, não creio que podemos salvar a nós mesmos: não importa o que façamos para nos redimir dos nossos "malfeitos", nada será capaz de apagar a nossa culpa. Não creio que possamos andar pelo caminho correto sem que Deus fale conosco: sem ele, nós somos cegos, errantes, sem rumo, perdidos. Não creio que podemos viver sem que Deus nos sustente e nos acompanhe: o mundo de corrupção, de egoísmo, de ódio, de morte e de terror é uma pequena amostra do que nos espera se formos deixados à nossa própria sorte.
Sim, eu preciso do Salvador, da Luz do Mundo, do Príncipe da Paz, do Pão da Vida, do Bom Pastor, do Caminho, da Verdade e da Vida. Eu anseio para que ele venha para me salvar, para me dar de sua vida e para transformar o meu coração. Eu desejo que ele esteja ao meu lado, que ele me console quando eu estou triste e me oriente quando estou confuso. A sua presença me revigora e a sua ausência me faz sedento da sua palavra.
É por isso que o Natal faz todo o sentido para mim. Essa noite é a celebração do amor de Deus por mim. Essa é a noite em que Deus mostrou que ele não está distante cuidando de outras galáxias, sem se importar com um "grãozinho de areia", como eu. Essa é a noite em que a nossa maior necessidade, o de ser salvo da morte, do pecado e do juízo, foi satisfeita em um bebê, que um dia cresceria e morreria por mim. Essa é a noite em que podemos ter grande alegria, não porque estamos na época das vacas gordas, mas porque o mais profundo anseio da nossa alma foi satisfeito na pessoa de Jesus Cristo.
Não sei como cada um de meus amigos, colegas e parentes estão passando está noite, mas o meu desejo é que, mesmo que tudo ao nosso redor for escuridão, mesmo que só haja motivos para tristeza, mesmo que o mundo esteja desmoronando, vocês possam se alegrar naquele que foi a luz no meio da escuridão e a esperança de todos os povos.
Que vocês tenham um Feliz Natal.
Não sei como cada um de meus amigos, colegas e parentes estão passando está noite, mas o meu desejo é que, mesmo que tudo ao nosso redor for escuridão, mesmo que só haja motivos para tristeza, mesmo que o mundo esteja desmoronando, vocês possam se alegrar naquele que foi a luz no meio da escuridão e a esperança de todos os povos.
Que vocês tenham um Feliz Natal.
Hélio, Martha e Raphael.
ÓTIMA REFLEXÃO ! PENSO IGUAL ! FELIZ NATAL !SUELY (CORAL)
ResponderExcluirConcordo com você!!!
ResponderExcluirQue belo texto! Verdadeiro! Feliz Natal e que Deus o abençoe e a sua família também! Lourdes e Joel
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