sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal

Caros amigos,

Hoje, muitos de nós comemoramos um feriado, que este ano nem feriado é, pois acabou caindo em um fim de semana. Sinto como se o ano de 2016 estivesse terminando de forma melancólica, de uma forma refletindo tudo o que aconteceu durante o ano. Recessão econômica. Desemprego. Inflação galopante. Corrupção generalizada. Protestos violentos. Guerra. Refugiados. Ataques terroristas em série. Os anos de paz e prosperidade parecem estar em um passado remoto. Neste Natal, o enfeites são menos exuberantes, os presentes mais simples e as ceias menos fartas.

Eu às vezes tenho a impressão de que, quando as coisas estavam bem, nós nos distraíamos com os aspectos secundários do Natal. Da mesma forma que a cidade de Belém estava preocupada com o recenseamento a ponto de não poder hospedar o Rei que estava por nascer em um lugar decente, nós estávamos correndo atrás de enfeites de natal, de presentes, de comida para a ceia. Estávamos tão ocupados que, se Jesus pedisse algum lugar em nossa vida, ele poderia ficar naquele cantinho, junto aos animais. Teríamos um curto momento de "reflexão" sobre o Natal e partiríamos para o que realmente nos  interessava: Casa enfeitada, Papai Noel, comida, presentes.

Hoje, quando as coisas não estão tão bem, ansiamos por paz, por alegria, por esperança. Da mesma forma que o povo de Israel na época do primeiro Natal, sentimos tristes, oprimidos, angustiados, e suspiramos por alguém que nos salve desta situação.

Então, chega o Natal.

Quando Jesus nasceu, anjos apareceram a alguns pastores, trazendo novas de grande alegria. Depois de dar a notícia, um coro de anjos cantou: "Glória a Deus nas alturas, e paz aos homens aos quais ele concede o seu favor."

O Natal foi a resposta de Deus a uma humanidade perdida, oprimida e sem esperança. O Filho de Deus tornou-se carne e viveu entre nós, para nos salvar. Ele nasceu, cresceu, comeu, dormiu e morreu como nós. Ele sentiu fome, sede,  alegria, angústia, tristeza e dor, como nós. Ele deu a sua vida por nós, para nos dar uma nova vida e uma nova esperança.

Jesus veio para nos salvar, mas não no sentido de nos libertar de um governo corrupto, de nos dar mais dinheiro e de nos proteger dos ataques terroristas. Ele veio para resolver os problemas que carregamos dentro de nosso ser. Ele veio para nós salvar de uma vida perdida, errante e vazia. Ele veio para nós salvar de nossos pecados. Ele veio para nós dar uma paz e alegria que nós capacitará a enfrentar os tempos difíceis.

Por isso, eu vejo este Natal como o momento em que poderemos nos lembrar do que ele realmente significa: a luz do mundo, o nosso presente mais precioso, o pão da vida, o príncipe da paz.

Que vocês possam, nesta noite, receber de Jesus a paz que excede todo o entendimento, que transcende as circunstâncias e que não se desfaz mesmo diante das adversidades.

Feliz Natal!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Testemunha de Jesus

Uma das primeiras instruções que me deram logo que eu resolvi abraçar a fé cristã foi a de ser testemunha de Jesus. Nāo sabia muito bem o que isso queria dizer, pois o único lugar onde eu tinha ouvido o termo testemunha havia sido no dialeto "jurisdiquês". Quando eu pensava nesta palavra, eu imaginava um tribunal, com juiz, réu, acusação, advogados tentando acusar ou defender o reu, e testemunhas que eles convocaram para depor.

Na igreja, ser testemunha parecia ser algo completamente diferente. Aparentemente, significava levar outras pessoas a se converterem à mesma fé que a minha. Para alcançar tal intento, eu precisava realizar várias tarefas. Por exemplo, eu deveria ir de porta em porta para conversar com os moradores e convidá-los a visitar a igreja. Além disso, deveria ter uma conduta irrepreensível diante dos não-crentes e contar a história da minha conversão de uma forma convincente e comovente. No caso de uma reação negativa, eu precisava estar pronto a defender a minha fé, tentando explicar por que a posição do outro estava equivocada. Finalmente, eu deveria perguntar se ela gostaria de aceitar Jesus como seu Salvador pessoal. O fruto de todo este trabalho seria a conversão: eu havia ganhado uma alma para Jesus.

Por mais nobre e necessária que eu considerasse esta tarefa, eu sempre considerei-me inadequado para ela. Nunca me senti confortável em bater portas das casas de desconhecidos, pois eu mesmo não me sentiria confortável em receber uma visita que estivesse ali somente para tentar convencer-me a mudar de religião. A minha timidez sabotava qualquer tentativa de conduzir uma conversa para assuntos controversos. Por mais que eu soubesse a razão da minha fé, não conseguia defendê-la, por não saber vencer um debate: não tenho raciocínio rápido e nunca gostei de dar respostas prontas para perguntas complexas. Por isso, até onde o meu conhecimento alcança, eu tenho de admitir - com um pouco de constrangimento - que eu não conheço ninguém que tenha conhecido o Caminho, a Verdade e a Vida através de mim ou de meu testemunho.

Hoje, eu ainda desejo que cada vez mais pessoas se tornem discípulas de Jesus e trabalho para isso. No entanto, eu vejo o meu papel de testemunha muito diferente daquilo que eu entendia nos meus primeiros anos de caminhada. Aliás, creio que o meu papel é análogo ao de uma testemunha depondo em um julgamento. Aprendi que muitas palavras do Novo Testamento foram extraídas do contexto da época, quando o Império Romano dominava o mundo conhecido. Ora, o Direito da forma como temos hoje foi um dos maiores legados dos romanos. Provavelmente, quando Jesus mencionou a palavra testemunha, ele realmente estava pensando em um julgamento.



O julgamento

Quando Jesus disse que os seus discípulos seriam suas testemunhas, creio que ele tinha em mente um julgamento, mas não aquele que vem à nossa mente quando se fala em julgamento na Bíblia - Deus julgando todos os homens pelas obras que fizeram durante a sua vida na terra. Nós somos testemunhas de um outro julgamento, mais semelhante a um outro mencionado na Bíblia: aquele que resultou na crucificação de Jesus.


O réu neste julgamento é o próprio Cristo. Naquela ocasião, o governador romano Pôncio Pilatos perguntou - "Que farei então com Jesus, chamado Cristo?". A mesma pergunta é feita neste julgamento: o que deverá ser feito com Jesus Cristo?


A acusação está mais relacionada com o que Jesus falou do que com as suas ações. Mais que isso, Jesus não foi acusado pelos seus belos e inspiradores sermões que hoje são mencionados nas páginas do Facebook. Ele foi acusado pelas declarações que o colocavam acima dos homens comuns, que o colocavam como o próprio Deus. "Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus" - disseram os judeus em uma outra ocasião. Veja algumas frases ditas pelo próprio Jesus:


"Eu e o Pai somos um."


"Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou."


"Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres."

"Se alguém tem sede, venha a mim e beba."


“Eu digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos"

"
Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede."


"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim."

Diante desta acusação, há somente duas sentenças possíveis. Se as declarações de Jesus forem falsas, ele será um louco com sintomas de megalomania e um falsário que levou bilhões de pessoas ao engano. Por isso, a pena de crucificação será uma pena branda diante do crime que ele cometeu, e o povo judeu teve um bom motivo para preferir soltar um assassino a não condenar Jesus. No entanto, se as declarações de Jesus forem verdadeiras, ele merece não só ser absolvido, mas também de ser adorado com se ele fosse o Deus que ele declarou ser.


Hoje em dia, tem-se uma falsa impressão de que podemos adotar uma solução salomônica: podemos ficar somente com o exemplo de vida e os sermões inspiradores de Jesus e ignorar todo o resto. O problema é que esse Jesus reconstruído e domesticado não existe, e não há como separar o Jesus bondoso do Jesus polêmico. O mesmo Jesus que nos ensina para fazermos aos outros o que gostaríamos que fizessem conosco é o Jesus que disse que os que não crêem nele terão a morte eterna. Ele será crucificado ou será adorado como Deus: não há meio-termo, não há como ficar em cima do muro.


Comentar sobre o advogado e as testemunhas de acusação requereria uma resenha à parte. Neste mundo, não faltam pessoas, organizações, mídias, instituições de ensino e até países que se opõem a Cristo e a todos os que dizem representá-los. Os que dizem acreditar nele são ridicularizados, hostilizados, marcados, perseguidos, presos e até mortos por causa de sua fé. A tolerância religiosa defendida pelas organizações de direitos humanos protege até mesmo religiões que defendem a intolerância religiosa, mas não a fé cristã, cujos seguidores são mais perseguidos que seguidores de qualquer outra religião no mundo. Mesmo assim, essa oposição do mundo é esperada: o próprio Jesus disse que este mundo o odeia e também odiará os seus seguidores. O mundo jaz no Maligno e, acreditemos ou não na existência do Diabo, ele usa todo o seu poder e autoridade sobre este mundo para desqualificar as declarações de Jesus.


O advogado de defesa de Jesus é o Espírito Santo. Nāo foi por mera coincidência que Jesus disse aos discípulos que eles só seriam testemunhas quando o Espírito Santo descesse sobre eles. É o Espírito Santo que convence os homens de que Jesus é o filho de Deus. É o Espírito Santo que destroi todos os bloqueios colocados pelo príncipe deste mundo que cegam os homens para que não vejam a verdade. Sem ele, nem mesmo o homem mais eloquente e persuasivo do mundo não conseguirá convencer alguém que Jesus Cristo é o Senhor. Sem ele, nunca poderemos convencer o mundo "do pecado, da justiça e do juízo", e ninguém se convencerá da necessidade de salvação. 


O meu papel, portanto, é o de testemunha de defesa. Eu sou meramente um instrumento usado pelo advogado de defesa para contar ao juiz o que Jesus significa para mim, e o que ele fez por mim. A minha obrigação como testemunha é apenas a de estar presente nos julgamentos em que o advogado me convocar e a de contar a minha história com a maior veracidade possível.


Finalmente, o juiz neste julgamento é cada uma das pessoas que ouviram o que Jesus disse acerca de si mesmo. A cada uma delas cabe decidir: agora, que eles ouviram o que Jesus disse sobre quem ele era, que muitos tentaram desqualificá-lo, que o Espírito Santo tentou convencê-lo e usou algumas testemunhas para contar histórias sobre o que Jesus fez em suas vidas, qual será o veredito? O que farão com o homem chamado Jesus? Eles crucificá-lo-ão, ou o adorá-lo-ão como o Filho de Deus?



Eu, testemunha


Como testemunha de Jesus, a perspectiva de que tenho um papel específico em um julgamento fez toda a diferença. Percebi como a minha concepção sobre testemunho estava equivocada, e como isso me libertou de um fardo que eu estava carregando por anos. 

Em primeiro lugar, percebi que eu não preciso ganhar almas para Cristo. Quem ganha almas é o advogado, que, com seu doce e cativante sussurro, demonstra o amor profundo de Cristo de uma maneira que a melhor retórica não conseguiria fazer. Não preciso me esforçar para convencer as pessoas a se tornarem crentes, nem buscar contra-argumentos para os que ridicularizam a fé cristã: só preciso contar a minha história.


O advogado conhece melhor que eu a estratégia correta para convencer as pessoas de que Jesus Cristo é Deus. Ele tem vários instrumentos em suas mãos - evidências históricas, argumentos racionais, circunstâncias adversas, visões e sonhos. No entanto, o instrumento mais poderoso que ele pode utilizar é o testemunho daqueles que conheceram Jesus. Mesmo o mais fraco testemunho de um verdadeiro crente pode ter poder de arombar as portas do inferno e resgatar as pessoas da perdição, se manuseado nas mãos do Espírito Santo. 


Por isso, a minha única preocupação deve ser o de ter compromisso com a verdade. Não preciso ser dramático, não preciso florear, não preciso aumentar: somente preciso contar o que me aconteceu, da maneira mais verídica possível - e deixar que o Espírito Santo faça o restante. 
Para mim, não existe testemunho bom ou ruim: existe somente o testemunho verdadeiro ou falso.

Até mesmo a nossa conduta diante dos outros precisa ser verdadeira. Com isso, não estou dizendo que não devemos buscar uma conduta irrepreensível diante dos que estão do lado de fora: o próprio Jesus disse que somos o sal da terra e a luz do mundo. O problema é que, muitas vezes, "dar um bom testemunho" quer dizer que devemos dar uma aparência de que somos mais santos do que realmente somos. Com isso, damos a impressão diante dos outros de que somos hipócritas, pois mostramos uma aparência de santidade que não é real. Sabemos que cristãos, na prática, tropeçam, pecam, cometem erros e constantemente precisam de perdão e arrependimento. Mostrar aos outros que não somos assim não só é um falso testemunho, como também envia a mensagem que Cristo não é para os peacadores. Para dizer a verdade, eu creio que o melhor testemunho de vida que podemos dar aos que estão de fora é mostrar como a graça funciona quando nós tropeçamos e caímos: reconhecemos o nosso erro, humillhamo-nos e pedimos perdão, ou ficamos nos justificando?


O fato de eu ser livre do fardo de ganhar almas não quer dizer que o meu papel como testemunha será fácil. Não é por acaso que a palavra testemunha na língua original do Novo Testamento (mártyr) passou também a significar aquele que sofre por alguma causa. O advogado de acusação também usa de várias estratégias para anular o nosso testemunho. Ele tentará desqualificá-lo, apontando, por exemplo, que a nossa conduta não condiz com o que declaramos. Ele tentará nos ridicularizar, dizendo que só uma pessoa ignorante poderia acreditar naquilo que dissemos. Se nada disso funcionar, ele tentará nos intimidar. Ele usará de todos os meios para nos proibir de abrir a boca e dizer o que Jesus fez por nós. Por causa de nosso testemunho, poderemos ser discriminados, insultados, açoitados, presos e até mesmo mortos. Por isso, para cada uma das ameaças que o inimigo de nosso Mestre lança contra mim, devo lembrar-me das palavras daquele de quem testemunhamos: "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês". Ser perseguido por causa de Cristo deve me alegrar, pois significa identificar-me com os seus sofrimentos: não há maior honra para um discípulo que ser como o seu mestre.


Ser testemunha significa também estar disponível para que o Espírito Santo me leve onde ele precisar de mim para dar o meu testemunho. Ao nosso redor, muitas pessoas tem uma ideia distorcida sobre Jesus, difundida pela mídia, pelas redes sociais e até mesmo por outras pessoas que se dizem cristãs. Em muitos lugares deste mundo, povos inteiros ainda não ouviram nenhum testemunho da boca de um discípulo de Cristo. Muitas vezes, o Espírito Santo convoca suas testemunhas para irem a estes lugares e dar o seu testemunho sobre Jesus para eles. Diante desta convocação, a nossa resposta deverá ser "Eis-me aqui, envia-me a mim". Nada mais deveria ser importante do que ouvir a voz do advogado e obedecer à sua convocação.




Eu, juiz


Da mesma forma que todas as pessoas, eu também exerci o papel de juiz em um momento de minha vida: eu deveria dar um veredito em relação a Jesus, o chamado Cristo. Enquanto eu via Jesus Cristo somente como o líder de uma religião velha e ultrapassada, eu simplesmente não me importava com isso. A partir do momento em que descobri aquilo que Jesus Cristo disse que era, iniciou-se um grande julgamento: o que devo fazer com o Jesus, chamado Cristo?

No julgamento, um grande embate se iniciou em minha mente: muitas vozes dentro e fora de mim protestavam, tentando me convencer a continuar achando que tudo isso era ridículo, que era coisa de fanáticos e que só um ignorante iria acreditar nele. Havia ainda muita confusão entre a religião, que eu abominava, e Cristo, que estava começando a conhecer. Eles apontavam para os pastores que extorquiam dinheiro dos fieis, para os seguidores de uma seita que acabaram se matando, para as cruzadas que mataram milhões de pessoas por causa da religião e para aqueles programas supostamente científicos que diziam que Jesus não era nada que a Bíblia falava. Eles também tentavam apelar para o medo, fazendo-me imaginar o quanto eu teria a perder se eu decidisse a favor de Jesus.

Ao mesmo tempo, eu percebi que havia algo novo e diferente neste julgamento: decidir o que fazer com Jesus faria toda a diferença em minha vida: se eu o crucificasse, eu continuaria com uma vida relativamente tranquila, embora vazia; se eu o adorasse, eu iniciaria uma nova vida, aparentemente mais difícil. O advogado, com toda sua sabedoria, conduziu-me durante o julgamento para que eu chegasse ao ponto de enxergar tudo o que Jesus era. Ele mencionou evidências históricas, usou um pouco de lógica e falou da minha vida vazia, mas não dispensou testemunhas em meu julgamento. Alguns de meus amigos de faculdade eram diferentes: eles eram alegres no meio de um ambiente difícil e tenso, tinham uma atitude positiva diante das dificuldades, e cantavam em meio às provações, enquanto todos os outros (inclusive eu) só reclamavam das condições da faculdade. Sem pronunciar uma palavra, eles me mostraram que, se alguém poderia ser considerado como o Filho de Deus, ele deveria ser Jesus.

Além disso, ele colocou diante de mim o testemunho falado e escrito de muitas testemunhas de defesa. Eu selecionei alguns abaixo: 


"Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo"
Um cego de nascença, ao ser questionado pelos sacerdotes acerca de Jesus.

"Ele me disse tudo o que tenho feito"
Uma mulher samaritana, contando aos seus compatriotas sobre a conversa com Jesus no poço de Jacó.

Eu me admiro com a simplicidade do testemunho destas pessoas que tiveram encontros com Jesus. Elas não disseram palavras bonitas e nem discursos teológicos - eles simplesmente disseram o que aconteceu com eles - e, ainda assim, muitos creram em Jesus por causa destes testemunhos.


"Maravilhosa graça, quão doce o som
que salvou um miserável como eu!
Eu antes estava perdido, e agora fui encontrado,
estava cego, mas agora eu vejo"
John Newton, um ex-traficante de escravos e autor do hino Amazing grace

Dos hinos cantados nas igrejas, os que dão um testemunho do que Jesus fez por eles estão entre os meus favoritos. O que, além da maravilhosa graça de Jesus, faria de um traficante de escravos um homem capaz de escrever um hino tão belo?


"Eu também estava convencido de que deveria fazer todo o possível para me opor ao nome de Jesus, o Nazareno. E foi exatamente isso que fiz em Jerusalém. Com autorização dos chefes dos sacerdotes lancei muitos santos na prisão, e quando eles eram condenados à morte eu dava o meu voto contra eles. Muitas vezes ia de uma sinagoga para outra a fim de castigá-los, e tentava forçá-los a blasfemar. Em minha fúria contra eles, cheguei a ir a cidades estrangeiras para persegui-los.
Numa dessas viagens eu estava indo para Damasco, com autorização e permissão dos chefes dos sacerdotes. Por volta do meio-dia, ó rei, estando eu a caminho, vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor e ao redor dos que iam comigo. Todos caímos por terra. 
Então ouvi uma voz que me dizia em aramaico. Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor! ’ 
Então perguntei: 'Quem és tu, Senhor?'
Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, fique de pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei. Eu o livrarei do seu próprio povo e dos gentios, aos quais eu o envio para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim’."
Paulo de Tarso, ex-fariseu e perseguidor de cristãos, relatando ao rei Herodes Agripa a sua conversão a Cristo.

O que faria um homem notório em perseguir os seguidores do Caminho tornar-se o maior pregador do evangelho de todos os tempos? Segundo o próprio ex-fariseu, foi Jesus: foi ele quem, por amor, foi ao encalço de seu perseguidor e trouxe-o para si. Depois, deu-lhe a missão de pregar a mensagem da cruz para os gentios. De perseguidor, Paulo tornou-se perseguido. Eu também não gostava dos cristãos - Jesus realmente poderia me transformar?


"O leitor precisa imaginar-me sozinho naquele quarto em Magdalen, noite após noite, sentindo - sempre que minha mente se desviava um instante que fosse do trabalho - a aproximação firme e implacável dEle, aquele que com tanta determinação eu não desejava encontrar. Aquilo que eu temia tanto pairava afinal sobre mim. Cedi enfim no período letivo subsequente à páscoa de 1929, admitindo que Deus era Deus, e ajoelhei-me e orei: talvez, naquela noite, o mais deprimido e relutante converso de toda a Inglaterra. Não percebi então o que se revela hoje a coisa mais ofuscante e óbvia: a humildade divina que aceita um converso mesmo em tais circunstâncias."
C.S. Lewis, relatando em seu livro Surpreendido pela alegria o modo como ele abraçou a fé cristã - esperneando, lutando, ressentido e girando os olhos em torno à procura de uma fuga - e percebendo, mais tarde, o amor de um Deus que o ama tanto a ponto de aceitá-lo mesmo nessas condições.

Eu me identifico bastante com esse autor, pois estava na mesma situação - lutando com todas as minhas forças para não admitir que eu tinha perdido a minha luta com Jesus. Nenhum dos argumentos foi capaz de me fazer escapar de seu alcance:  mesmo assim, não queria admitir que Jesus era o Senhor e que a única resposta lógica da minha parte deveria ser prostrar-me e adorá-lo. Também entraria no reino de Deus esperneando como uma criança birrenta que não conseguiu o que queria. Ainda assim, soube através do testemunho deste escritor que Deus me amava tanto que me aceitaria mesmo nessas circunstâncias. 

Após um julgamento longo e difícil, finalmente, dei o meu veredito: eu decidi que Jesus falou a verdade quando declarou ser o Filho de Deus, quando disse que ele e o Pai eram um e quando afirmou que quem nele crê não perecerá, mas terá a vida eterna. Ao menos nesse julgamento, Jesus foi declarado inocente e, mais que isso, digno de toda a minha adoração como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Caso encerrado.