Eu, juiz
Da mesma forma que todas as pessoas, eu também exerci o papel de juiz em um momento de minha vida: eu deveria dar um veredito em relação a Jesus, o chamado Cristo. Enquanto eu via Jesus Cristo somente como o líder de uma religião velha e ultrapassada, eu simplesmente não me importava com isso. A partir do momento em que descobri aquilo que Jesus Cristo disse que era, iniciou-se um grande julgamento: o que devo fazer com o Jesus, chamado Cristo?
No julgamento, um grande embate se iniciou em minha mente: muitas vozes dentro e fora de mim protestavam, tentando me convencer a continuar achando que tudo isso era ridículo, que era coisa de fanáticos e que só um ignorante iria acreditar nele. Havia ainda muita confusão entre a religião, que eu abominava, e Cristo, que estava começando a conhecer. Eles apontavam para os pastores que extorquiam dinheiro dos fieis, para os seguidores de uma seita que acabaram se matando, para as cruzadas que mataram milhões de pessoas por causa da religião e para aqueles programas supostamente científicos que diziam que Jesus não era nada que a Bíblia falava. Eles também tentavam apelar para o medo, fazendo-me imaginar o quanto eu teria a perder se eu decidisse a favor de Jesus.
Ao mesmo tempo, eu percebi que havia algo novo e diferente neste julgamento: decidir o que fazer com Jesus faria toda a diferença em minha vida: se eu o crucificasse, eu continuaria com uma vida relativamente tranquila, embora vazia; se eu o adorasse, eu iniciaria uma nova vida, aparentemente mais difícil. O advogado, com toda sua sabedoria, conduziu-me durante o julgamento para que eu chegasse ao ponto de enxergar tudo o que Jesus era. Ele mencionou evidências históricas, usou um pouco de lógica e falou da minha vida vazia, mas não dispensou testemunhas em meu julgamento. Alguns de meus amigos de faculdade eram diferentes: eles eram alegres no meio de um ambiente difícil e tenso, tinham uma atitude positiva diante das dificuldades, e cantavam em meio às provações, enquanto todos os outros (inclusive eu) só reclamavam das condições da faculdade. Sem pronunciar uma palavra, eles me mostraram que, se alguém poderia ser considerado como o Filho de Deus, ele deveria ser Jesus.
Além disso, ele colocou diante de mim o testemunho falado e escrito de muitas testemunhas de defesa. Eu selecionei alguns abaixo:
"Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo"
Um cego de nascença, ao ser questionado pelos sacerdotes acerca de Jesus.
"Ele me disse tudo o que tenho feito"
Uma mulher samaritana, contando aos seus compatriotas sobre a conversa com Jesus no poço de Jacó.
Eu me admiro com a simplicidade do testemunho destas pessoas que tiveram encontros com Jesus. Elas não disseram palavras bonitas e nem discursos teológicos - eles simplesmente disseram o que aconteceu com eles - e, ainda assim, muitos creram em Jesus por causa destes testemunhos.
"Maravilhosa graça, quão doce o som
que salvou um miserável como eu!
Eu antes estava perdido, e agora fui encontrado,
estava cego, mas agora eu vejo"
John Newton, um ex-traficante de escravos e autor do hino Amazing grace
Dos hinos cantados nas igrejas, os que dão um testemunho do que Jesus fez por eles estão entre os meus favoritos. O que, além da maravilhosa graça de Jesus, faria de um traficante de escravos um homem capaz de escrever um hino tão belo?
"Eu também estava convencido de que deveria fazer todo o possível para me opor ao nome de Jesus, o Nazareno. E foi exatamente isso que fiz em Jerusalém. Com autorização dos chefes dos sacerdotes lancei muitos santos na prisão, e quando eles eram condenados à morte eu dava o meu voto contra eles. Muitas vezes ia de uma sinagoga para outra a fim de castigá-los, e tentava forçá-los a blasfemar. Em minha fúria contra eles, cheguei a ir a cidades estrangeiras para persegui-los.
Numa dessas viagens eu estava indo para Damasco, com autorização e permissão dos chefes dos sacerdotes. Por volta do meio-dia, ó rei, estando eu a caminho, vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor e ao redor dos que iam comigo. Todos caímos por terra.
Então ouvi uma voz que me dizia em aramaico. ‘Saulo, Saulo, por que você está me perseguindo? Resistir ao aguilhão só lhe trará dor! ’
Então perguntei: 'Quem és tu, Senhor?'
Respondeu o Senhor: ‘Sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, fique de pé. Eu lhe apareci para constituí-lo servo e testemunha do que você viu a meu respeito e do que lhe mostrarei. Eu o livrarei do seu próprio povo e dos gentios, aos quais eu o envio para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim’."
Paulo de Tarso, ex-fariseu e perseguidor de cristãos, relatando ao rei Herodes Agripa a sua conversão a Cristo.
O que faria um homem notório em perseguir os seguidores do Caminho tornar-se o maior pregador do evangelho de todos os tempos? Segundo o próprio ex-fariseu, foi Jesus: foi ele quem, por amor, foi ao encalço de seu perseguidor e trouxe-o para si. Depois, deu-lhe a missão de pregar a mensagem da cruz para os gentios. De perseguidor, Paulo tornou-se perseguido. Eu também não gostava dos cristãos - Jesus realmente poderia me transformar?
"O leitor precisa imaginar-me sozinho naquele quarto em Magdalen, noite após noite, sentindo - sempre que minha mente se desviava um instante que fosse do trabalho - a aproximação firme e implacável dEle, aquele que com tanta determinação eu não desejava encontrar. Aquilo que eu temia tanto pairava afinal sobre mim. Cedi enfim no período letivo subsequente à páscoa de 1929, admitindo que Deus era Deus, e ajoelhei-me e orei: talvez, naquela noite, o mais deprimido e relutante converso de toda a Inglaterra. Não percebi então o que se revela hoje a coisa mais ofuscante e óbvia: a humildade divina que aceita um converso mesmo em tais circunstâncias."
C.S. Lewis, relatando em seu livro Surpreendido pela alegria o modo como ele abraçou a fé cristã - esperneando, lutando, ressentido e girando os olhos em torno à procura de uma fuga - e percebendo, mais tarde, o amor de um Deus que o ama tanto a ponto de aceitá-lo mesmo nessas condições.
Eu me identifico bastante com esse autor, pois estava na mesma situação - lutando com todas as minhas forças para não admitir que eu tinha perdido a minha luta com Jesus. Nenhum dos argumentos foi capaz de me fazer escapar de seu alcance: mesmo assim, não queria admitir que Jesus era o Senhor e que a única resposta lógica da minha parte deveria ser prostrar-me e adorá-lo. Também entraria no reino de Deus esperneando como uma criança birrenta que não conseguiu o que queria. Ainda assim, soube através do testemunho deste escritor que Deus me amava tanto que me aceitaria mesmo nessas circunstâncias.
Após um julgamento longo e difícil, finalmente, dei o meu veredito: eu decidi que Jesus falou a verdade quando declarou ser o Filho de Deus, quando disse que ele e o Pai eram um e quando afirmou que quem nele crê não perecerá, mas terá a vida eterna. Ao menos nesse julgamento, Jesus foi declarado inocente e, mais que isso, digno de toda a minha adoração como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Caso encerrado.