sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Introdução


Suwon, 14 de dezembro de 2012

Uma das minhas promessas para o ano que vem será o de compartilhar em um blog as reflexões sobre a minha caminhada nesta vida.

Há muito tempo desejei fazer algo desse tipo. Uma das razões para eu escrever é que eu me expresso melhor escrevendo do que conversando. Eu invejo as pessoas que conseguem construir amizades facilmente e sentem-se à vontade para simplesmente conversar. Eu não sou assim: sou retraído quando estou no meio de pessoas estranhas e tenho dificuldades de expressar verbalmente os meus sentimentos até mesmo com as pessoas que conheço bem. Sinto-me isolado do mundo, sem ter com quem compartilhar as coisas que estão na parte mais profunda da minha alma. Ao mesmo tempo que eu anseio por relacionamentos, o meu temperamento afasta-me deles.

Neste blog, às vezes vou escrever coisas que parecerão muito "religiosas", principalmente para os que não tem muita familiaridade com o "evangeliquês". Quando escrever sobre isso, tentarei não usar termos deste idioma, embora saiba que muitas vezes isso será inevitável. Espero que isso não intimide os que não tem fluência. Mesmo assim, creio que o meu relacionamento com Deus é uma parte importante (se não a mais importante) da minha essência. Mesmo antes de ter a convicção da minha fé, eu sentia algo faltando na minha vida, que não podia ser preenchida com dinheiro, nem com conhecimento, nem com diversão, nem com nada que este mundo poderia me oferecer. Eu sentia um vazio do tamanho de Deus, como dizia o filósofo Pascal. Ao folhear o meu diário de faculdade, eu percebia o quanto eu tinha fome de Deus, antes mesmo de considerar me filiar a alguma religião ou de frequentar alguma igreja.

Também, o meu objetivo aqui não é dar aulas de religião ou providenciar frases de efeito que poderão ser compartilhadas nas redes sociais. Eu não gostaria de ter seguidores, mas de amigos que caminhem junto comigo, que me dêem palavras de consolo quando eu estiver escrevendo coisas muito deprimentes, e que me dê encorajamento para continuar em frente, mesmo desanimado. A minha caminhada com Deus não deveria ser solitária como está sendo agora. Ela deveria ser feita em grupo, onde companheiros de caminhada andam juntos, dividem as cargas, ajudam nas dificuldades dos outros, encorajam-se mutuamente, e até mesmo carregam o seu companheiro quando ele não tem mais forças para continuar. Uma das cenas mais emocionantes do último filme da trilogia "O Senhor dos anéis", foi quando Sam, vendo que o seu companheiro Frodo sucumbir diante do fardo de levar o anel até o local onde ele seria destruído, disse que não poderia carregar o anel pelo seu amigo, mas que podia carregá-lo. Será que algo desse tipo seria possível em uma realidade como a nossa, onde cada um vive para si, e onde nem a igreja parece ser um ambiente propício para se desenvolver relacionamentos assim? Gostaria que fosse.

Mesmo assim, não quero colocar um fardo para os leitores, cobrando deles algo que eu mesmo não poderia oferecer no momento. Para os que simplesmente desejam ler o que eu escrevi, o meu último pedido: descartem tudo o que não fizer sentido para vocês, ou o que for motivo de escândalo ou contendas. Também não desejo fazer disso um painel de discussões sobre teologia ou sobre a existência ou não de Deus. Tudo o que eu quero é expor o que está no meu coração.

Boa leitura.

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