sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A fé infantil e a fé madura

Eu sempre comparei a fé à confiança de uma criança em seus pais. Eu pensava que a fé perfeita era a fé infantil. Pensava que esta era a razão pela qual Jesus dizia que não veríamos o reino dos céus se não tivéssemos a fé de uma criança.

O tempo tem me mostrado que é necessária uma fé diferente para continuar caminhando, uma fé que transcende à de uma simples confiança infantil, uma fé que vou chamar de fé madura. Muitas das nossas expectativas em relação ao amor, ao cuidado e à proteção de Deus na nossa vida acabam não se concretizando e, às vezes, somos obrigados a decidir o que fazemos com essa decepção: continuaremos crendo em Deus, ou não?

Uma fé infantil diz "O Senhor é o meu pastor, e nada me faltará". Um fé madura diz: "ainda que o campo não  floresça e a videira não dê mais seu fruto, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação".

Uma fé infantil diz: "O Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei". Uma fé madura diz: "Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer".

Uma fé infantil diz: "Mil poderão cair ao seu lado e dez mil à tua direita, mas nada o atingirá". Uma fé madura diz: "ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo".

Uma fé infantil diz que "nunca viu um justo mendigar o pão". Uma fé madura diz que "nem a fome nos separará do amor de Deus".

Uma fé infantil diz que Deus "irá abrir as comportas do céu e derramar sobre nós tantas bênçãos que nem teremos onde guardá-las". Uma fé madura diz que "a graça de Deus nos basta".

Uma fé infantil pergunta: "qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se pedir peixe, lhe dará uma cobra?" A fé madura pergunta: "aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?"

De fato, nem sempre compreendemos como Deus opera em todas as coisas pelo nosso bem. Muitas vezes, Deus nos parece distante, indiferente, ou mesmo sádico diante dos nosso problemas, das nossas dificuldades e dos nossos fardos. Às vezes, sentimo-nos desprotegidos, desorientados e sozinhos neste mundo. É nesses momentos que temos de decidir o que fazer com esse Deus que diz ser o nosso Pai e que promete estar conosco sempre. Daremos nós as costas a Ele por ter-nos decepcionado, ou continuaremos confiando nele, servindo-o e adorando-o, mesmo não compreendendo os seus caminhos? A fé madura diz que continuaremos crendo.

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