A vida, a mensagem e a obra de Jesus Cristo seguiram uma lei que eu denomino como a "lei da reversão": ele contrariava tudo o que dizia o bom-senso. Em Cristo, os primeiros seriam os últimos, os últimos seriam os primeiros, os publicanos e as prostitutas estariam mais perto do reino dos céus que os religiosos, os samaritanos eram mais compassivos e os gentios tinham mais fé que o próprio povo de Deus. Os bem-aventurados eram os pobres, os que choram, os mansos e os perseguidos. Já os ricos e poderosos, como é difícil para eles entrarem no reino de Deus!
Eu considero que o nascimento de Jesus também seguiu a mesma lei. Ao contrário do que diz o senso comum, Jesus não nasceu em "berço de ouro", digno de alguém que seria denominado "rei dos judeus". Ele foi filho de um casal humilde, que só tinha condições de comprar dois pombos para oferecer em sacrifício. Ele foi fruto de um milagre que despertou desconfiança, e não admiração, das outras pessoas. Ele nasceu em condições emergenciais, durante uma viagem para uma cidade insignificante. Quando Maria entrou em trabalho de parto, eles não conseguiram lugar para dar à luz, a não ser em um estábulo.
Por mais circunstancial que tenha sido a situação em que Jesus nasceu, creio que houve um propósito nela. Jesus nasceu quase como um "sem-teto" para que tornasse acessível para todos os que quisessem vê-lo. Visitar o filho de um rei que nasceu em um palácio certamente não seria possível para um súdito qualquer. Visitar um bebê em uma estrebaria seria muito fácil, pois não haveria portões, muralhas e guardas para intimidar os que iriam visitá-los.
Mesmo assim, a Bíblia registra apenas dois grupos de pessoas que visitaram Jesus quando ele nasceu. Os primeiros visitantes do rei foram pastores que estavam nas imediações, cuidando de seu rebanho. A profissão de pastor era considerada uma das menos nobres da época, reservadas àqueles que não tinham conseguindo seguir outra profissão. Foram a esses humildes pastores que Deus escolheu anunciar a notícia mais importante da história: o salvador do mundo havia nascido. Cheios de alegria, eles foram até a estrebaria para visitar o bebê, deitado em uma manjedoura. O caminho dos pastores foi simples e direto: eles estavam muito perto do Salvador.
Já o caminho dos reis magos foi muito mais longa e difícil. Eles eram dotados de muita riqueza, poder e sabedoria no país onde eles viviam. Ao avistar o céu, eles notaram uma estrela diferente das outras. A investigação sobre essa estrela levou-os a deixar o conforto dos seus lares para seguir uma viagem de vários dias no deserto, em direção à Judeia para ver o "rei dos judeus". Em um certo momento, equivocaram-se ao buscar o rei no palácio real, mas, ao serem direcionados para Belém, encontraram a estrela novamente, que os guiou até Jesus. Chegando ali, eles adoraram-no e presentearam-no com o que tinham de melhor.
Eu não sou rei, não sou mago, não sou tão sábio e nem tão rico assim. No entanto, eu vejo o meu caminho muito semelhante ao dos reis magos. Provavelmente eu não correria imediatamente ao estábulo ao ouvir um coro de anjos cantando: eu ficaria tentando explicar o fenômeno cientificamente, duvidaria que o salvador do mundo estaria deitado em uma manjedoura, e continuaria o que eu estava fazendo. Ao invés disso, Deus conseguiu chamar a minha atenção ao colocar ao meu redor estrelas que brilhavam diferentemente das outras. Movido pela curiosidade, eu investiguei a causa deste brilho anormal, o que me levou a me convencer de que havia um rei maior que eu mesmo, a quem deveria buscar e adorar.
Empacotei tudo o que eu tinha de mais precioso e comecei uma longa jornada para encontrar-me com esse rei. Esta jornada seria longa e perigosa, não porque Jesus estava muito inacessível para mim, mas porque eu estava muito inacessível para ele. Da mesma forma que ele se esvaziou, eu também deveria me esvaziar. Deveria mudar totalmente os meus valores. Deveria considerar tudo o que eu tinha conquistado até agora como lixo, comparado com aquilo que eu conquistaria. Precisaria deixar de confiar na minha sabedoria, nas minhas riquezas e nas minhas forças para encontrá-lo.
Algumas vezes, equivoquei-me na minha jornada, ao confiar em outras pessoas para encontrá-lo: encontrei pessoas que falavam de Deus e de Jesus, mas que não o buscavam e nem queriam adorá-lo: talvez até quisessem matá-lo, se pudessem. A decepção com essas pessoas, por algum tempo, transformou-se em decepção com o caminho. No entanto, o brilho estranho da estrela ainda persistiu, e eu resolvi continuar seguindo.
Não sei dizer se eu já o encontrei. De uma forma, encontrei-me com Jesus no momento em que eu pedi para que ele entrasse no meu coração e transformasse a minha vida. No entanto, quando eu analiso o meu coração, eu vejo o quanto eu ainda preciso caminhar: o destino ainda está muito longe. Provavelmente eu não cheguei ao ponto em que poderia encontrar-me face a face com ele e depositar a seus pés tudo o que eu tenho de mais precioso aqui na terra: os meus talentos, as minhas conquistas, a minha família e a minha riqueza. Por isso, a caminhada continua.
De fato, quão difícil é para o rico entrar no reino dos céus! É mais fácil um camelo entrar na ponta de uma agulha do que um rico no reino dos céus. No entanto, para Deus nada é impossível. Para mim, a maior prova de que Deus pode fazer o impossível é fazer com que uma pessoas incrédula, orgulhosa e obstinada como eu entre no reino dos céus.
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