Aos meus familiares, colegas e amigos,
Eu tenho de confessar que a época de Natal traz-me mais sentimentos de melancolia que de paz, amor e alegria. Não me sinto com vontade de enfeitar a casa com árvores, luzes e enfeites - tanto brilho, tanto trabalho, tanto dinheiro gasto para desmontar tudo no mês seguinte. Comprar presentes é uma tortura - problemas para estacionar, lojas lotadas, pés cansados, simplesmente para cumprir uma obrigação social. Como disse uma consultora de finanças, "às vezes, você compra o que não quer, com dinheiro que você não tem, para dar a quem você não está nem aí". Os happy hours promovidos pelos empregadores parecem mais um show de hipocrisia: chefes que desprezam seus subordinados e subordinados que odeiam seus chefes e falam mal deles o ano todo se abraçam e trocam elogios, como se tudo estivesse bom e maravilhoso. O Papai Noel há muito deixou de ser um símbolo da fantasia e da esperança de justiça e bondade para esse mundo - hoje, é mais uma vitrine para estimular os compradores a gastar mais nas lojas. A alegria, o amor e a paz que o Natal proclama parecem ser como as bolas de Natal: bonitas por fora e ocas por dentro. A alegria geralmente é só uma máscara prestes a cair quando toda a festa terminar, o amor é um sentimento passageiro que se apaga em poucos dias, e a paz já termina no dia seguinte, quando voltamos ao trabalho.
A história que originou o Natal, em princípio, também não me inspira muita alegria. Um anjo aparece a uma jovem adolescente, dizendo que ela teria um filho, mesmo sendo virgem. Essa jovem ainda não era casada e, por isso, provavelmente seria marginalizada pela vizinhança. O noivo estava prestes a deixá-la por isso, mas o anjo também falou a ele em um sonho, instruindo-o para casar com ela. Perto do dia do parto, os dois são obrigados a viajar vários quilômetros para chegar à cidade de seus antepassados, em Belém. Nesta cidade, procuram um lugar para dar à luz, mas só encontram um estábulo para fazer o parto. Quando Jesus nasceu, improvisaram um comedouro dos animais como berço. Quando levaram-no ao templo para circuncidá-lo, um ancião diz à mãe de Jesus que uma espada iria atravessar a sua alma, prenunciando assim o fim que o seu filho iria levar. Voltando a Belém, encontram-se com um grupo de ricos turistas estrangeiros, que haviam antes procurado o "Rei dos Judeus" no palácio de um rei cruel e sanguinário. Este rei então manda matar todos os bebês da cidade para eliminar qualquer ameaça ao seu trono. A família, então, é obrigada a se exilar em um país estrangeiro por alguns anos. A história do Natal foi uma história de dificuldades, privações e tragédias, muito mais que de paz, amor e alegria.
Felizmente, a Bíblia não se limita a uma narrativa crua dos fatos. No meio desta história de dificuldades e tragédias, existem algumas notas dissonantes de alegria, manifestações discretas do sobrenatural e pequenas luzes de esperança. O bebê que iria nascer era o próprio filho de Deus. Ele iria revolucionar o mundo, não através de um levante político, mas com a transformação de corações - um por vez. Ele seria chamado "o Deus conosco", e mostraria a nós que, através dele, seríamos reconciliados com Deus. Ele seria chamado "o Deus que salva", pois, através de sua morte, ele nos salvaria dos nossos pecados. Ele seria chamado "o Ungido de Deus", pois ele restauraria a paz nesta terra.
Para mim, o mais impressionante nessa narrativa do Natal não foram os milagres e as aparições sobrenaturais, mas o fato de que alguns personagens creram em um mero bebê. Apesar de todo o sofrimento que iria passar, a mãe de Jesus entoou um dos cânticos mais belos da Bíblia - "A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". Seu marido, mesmo ao custo de sua reputação, resolveu acreditar no sonho e cumprir as ordens de um anjo. Uma parente de Maria, também grávida, sentiu o seu bebê se mexer ao ouvir a saudação de Maria e chamou-a de "bendita entre as mulheres". Um ancião do templo viu o bebê pela primeira vez, e começou a dizer que já poderia descansar em paz. Os magos viram em uma estrela errante o sinal de que algo maravilhoso estava por vir.
Da mesma forma, de uma maneira misteriosa, este jovem cético, crítico, teimoso e incrédulo encontrou em Jesus Cristo tudo o que ele estava buscando a vida toda: a verdadeira alegria, que persiste mesmo nos dias mais sombrios; o amor abundante, que é capaz de cobrir todos os seus pecados; a paz que poderia ter mesmo quando tudo estiver desmoronando à sua volta. Ao ouvir que Jesus poderia transformar a sua vida, este jovem relutantemente abriu o seu coração e encontrou-se com o seu Salvador. Mesmo não tendo visto nem ouvido nada espetacular, ele simplesmente soube que ali estava a resposta para tudo o que a sua alma buscava. Em Jesus ele passou a confiar, de Jesus ele passou a aprender, a Jesus ele passou a servir.
Por isso, é este o Natal que realmente enche o meu coração de amor, paz e alegria. O Natal dos enfeites, dos presentes, das festas, dos banquetes e do Papai Noel dá-me a sensação de ilusão e falsidade. O Natal de Jesus Cristo encontrou o amor, a paz e a alegria no meio da realidade deste mundo, onde os vizinhos têm veneno na língua, as pessoas fecham a porta para um casal de jovens que precisam de ajuda, o povo é capaz de pedir a crucificação de um inocente, e um governante abre mão de qualquer meio para se manter no poder.
É com essa palavra que eu gostaria de desejar a todos vocês um Feliz Natal.
Um grande abraço,
Helio.
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