[Escrito em 31 de dezembro de 2021]
Caros colegas,
Eu sei que 2021 foi um ano para se esquecer, para muitos de nós. Quando achávamos que a pandemia estava terminando, ela ressurgiu com uma intensidade ainda maior que a primeira onda. Muitos de nossos amigos e familiares perderam a vida para este vírus e tivemos de ficar trancados em casa por mais alguns meses. O longo tempo de isolamento social cobrou o seu preço: empreendimentos fecharam, tornamo-nos viciados de eletrônicos, desaprendemos a conviver em sociedade e muitas de nossas crianças e adolescentes desenvolveram distúrbios psicológicos. Quando a pandemia estava dando sinais de arrefecimento, o país passou pela pior seca dos últimos anos, seguido de chuvas intensas que desabrigaram milhares de brasileiros.
Também compreendo quando muitos de nós não tem uma expectativa muito boa para 2022. Uma nova variante do vírus ameaça nos tragar novamente ao pesadelo do isolamento social. Os rumos da economia estão incertos. As eleições deste ano prometem ser as mais sujas de todos os tempos, com resultados imprevisíveis. A liberdade que ainda temos para nos expressarmos, para fazer nossas escolhas e para trabalhar continuará sendo ameaçada em nome da "saúde", da "vida", do "meio ambiente", da "ciência" e da "democracia". Em cima desta conjuntura desfavorável, somam-se ainda as tragédias pessoais que baterão à nossa porta quando menos esperarmos: uma doença grave, a perda do emprego, a perda de um ente querido. Viver em 2022 não será uma tarefa fácil.
Quando eu descrevo as dificuldades que passamos e as que ainda iremos passar, lembro-me de uma das promessas mais conhecidas da Bíblia: de que, em todas essas coisas, Deus coopera para o bem daqueles que o amam. Em um de seus mais belos sermões, Jesus me convida a olhar para as aves do céu e para os lírios do campo: eles são muito menos importantes para o nosso Pai que eu; mesmo assim, Ele cuida para que as aves sejam alimentadas e para que as flores se vistam com beleza e majestade.
Como, então, eu poderia amaldiçoar o ano que passou? Não enfrentei todos os desafios sozinho, mas meu Deus sempre esteve do meu lado, usando cada circunstância para me moldar e fazer de mim alguém mais próximo de sua imagem. Quando achava que não iria mais suportar o fardo, ele estava suportando comigo. Quando não podia mais caminhar, ele estava me carregando.
Como, então, eu poderia me torturar de ansiedade pelo ano novo? "Busque primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas te serão acrescentadas" - diz meu Senhor, quando estou inquieto ao ver a tempestade que se aproxima de mim, ameaçando tirar tudo o que eu tenho. A minha única preocupação deveria ser viver para Ele.
Porque tenho um Deus que me ajudou até agora, posso me despedir de 2021 com gratidão e alegria.
Porque tenho um Deus que estará comigo até o fim, posso saudar o ano de 2022 com confiança e paz.
Que, da mesma forma, no novo ano Deus transforme tua tristeza em alegria, tua inquietação em paz e teu desânimo em esperança.
Feliz Ano Novo.
Hélio Fujimoto.
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